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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2020, 23h:22

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ELVIS JEAN DOS PASSOS

O Microempreendedor Individual em Cáceres, Reflexos da Pandemia da COVID – 19

Por: Elvis Jean dos Passos

Reprodução

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Elvis Jean dos Passos

 

O MEI (Microempreendedor Individual) surgiu em 2008, através da Lei Complementar 128/2008, que possibilitou a formalização de pequenos negócios, e segundo dados do portal do MEI, cerca de 3,6 milhões de pequenos negócios foram beneficiados. Dentre as principais vantagens estão: Cobertura previdenciária, emissão de nota fiscal, contração de um funcionário, acesso a benefícios bancários, menor carga tributária, assessoria e possibilidade de crescimento etc.

Assim como no restante do país, em Cáceres existem inúmeros microempreendedores individuais, nos mais diversos setores econômicos e realizando as mais variadas atividades.

Cáceres possui mais de 94 mil habitantes, dos quais, segundo estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2018 apenas 15,9% possuíam uma ocupação. Estes dados mostram que o nível de empregabilidade é bem baixo, comparado às cidades com as mesmas características.

Sabemos que o ano de 2020 trouxe grandes desafios e fez com que muitas pessoas tivessem seus estilos de vida ou suas rotinas alteradas, ainda enfrentamos uma pandemia e sofremos grandes consequências, sejam por perdas de pessoas, por desabastecimento de produtos e alimentos, por um grande número de desempregados etc. Cáceres não está alheio a estas questões e também teve e vive, grandes impactos econômicos e sociais.

Para reduzir os níveis de contagio da COVID-19, em determinados momentos foram adotadas medidas restritivas, tanto para abertura de algumas empresas, quanto para o trânsito de pessoas, o que fez com que as empresas de atividades consideradas não essenciais, fossem fechadas ou tiveram suas atividades limitadas, ocasionando, certamente, uma queda acentuada em suas receitas, que em alguns casos, para empresas que não possuíam um fundo de reserva, para liquidação de suas despesas, tiveram que encerrar suas atividades.

Segundo um levantamento do SEBRAE publicado, a média que uma empresa consegue manter-se fechada e ainda ter dinheiro para pagar as contas é de 23 dias. Conforme abaixo relacionado por seguimento no estudo.

O estudo do SEBRAE, mostra por segmento, o tempo médio que cada empresa consegue ficar fechada e ainda ter caixa para pagar as contas. Podemos observar que as empresas de beleza são as com menor capacidade e o agronegócio com a maior.

Neste cenário, o microempreendedor individual foi consideravelmente afetado e conforme entrevistas realizadas, muitos deixaram de pagar suas contas e acabaram adquirindo diversas dívidas.

Apesar de ser considerado um valor baixo, o auxílio emergencial ajudou a economia local a ser movimentada e manteve a circulação de dinheiro em alguns setores econômico em Cáceres, muitos comércios se adaptaram e passaram a receber via aplicativo, disponibilizado para o recebimento do benefício, bem como a utilização de outros meios de pagamento.

Em Cáceres muitos microempreendedores individuais buscaram soluções em meio a pandemia, seja através de mudança do modelo de negócio, novas formas de executar ou mesmo mudando o produto principal.

Um dos grandes exemplos que tem dado certo na cidade é o de delivery, em sua maioria utilizado para entrega de alimentos, passou a ser utilizado para os mais variados tipos de produtos entre eles, roupas, petshop, lojas de aviamentos entre outras, em sua maioria, através de prestação de serviços com empresários individuais. Certamente uma oportunidade vislumbrada por estes empreendedores e colocadas em prática, ou seja, de um problema surgem as soluções.

Algo que durante as entrevistas foi possível observar, junto aos microempreendedores é que a formação e a capacitação dos empresários individuais, se dá através de práticas, cursos e de palestras, que segundo os mesmos, quase sempre são gratuitas e oferecidas por instituições públicas como SEBRAE, prefeitura e instituições de ensino. Durante as entrevistas os empreendedores quando questionados, sobre o quanto investiram em educação e conhecimentos, a grande maioria diz que ao decorrer do ano investiu menos de R$ 200,00 reais em formação ou capacitação, o que demonstra uma cultura de não buscar aperfeiçoamento ou investimentos em conhecimento o que certamente reflete no perfil e na capacidade de inovação de cada empresa. Em muitos destes casos as empresas ainda encontram-se com suas atividades paralisadas.

Diante das informações obtidas com as entrevistas podemos observar também uma grande necessidade de aperfeiçoamento profissional, para que estas empresas consigam se desenvolver, haja vista que o mercado exige dos empresários uma busca constante por informações e por inovação, mesmo nestes pequenos negócios. Para isso é necessário investir em conhecimento técnico e em educação coorporativa.

É necessário que estas instituições credenciadas e reconhecidas divulguem seus serviços, através dos mais variados meios de comunicação, para que assim a informação chegue aos pequenos negócios.

Uma característica extremamente positiva, observada nesses pequenos empreendimentos é a capacidade de adaptar-se às mudanças de forma mais rápida e buscar alternativas. Demonstram sua capacidade de inovar e criar meios, de manterem suas receitas e gerar renda, hora por seu custo de execução ser mais baixo, e a capacidade de mudar seu ambiente sem grandes impactos, a exemplo de quem possuía um ponto de restaurante fixo, e passou a fazer entregas de marmitas, produzindo em sua própria residência.

Cáceres precisa investir em capacitar os empresários individuais, mostrar a importância da formalização e os impactos no município, mas, acima de tudo investir em criar empresários com capacidade de ampliar seus negócios, gerar emprego no município, em mostrar aos MEI´s, que o crescimento é possível, e uma das formas é investir em educação coorporativa, pois sabemos que quanto maior o investimento em educação maior o desenvolvimento do município.