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POLITICA

Sábado, 07 de Setembro de 2019, 15h:17

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AUDIÊNCIA PÚBLICA

Audiência pública debate prevenção à depressão e ao suicídio nesta terça-feira (10)

Evento será realizado na terça-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio - iniciativa do deputado Dr. Gimenez, que é médico

Por: Rose Domingues Reis

redacao@caceresnoticias.com.br

Reprodução

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O evento reunirá representantes de várias instituições, entre elas, da educação, polícia militar, saúde pública, universidades, associações de psicologia e psiquiatria, Centro de Valorização da Vida (CVV), estudantes e profissionais que atuam na área.

A cada 3 segundos, uma pessoa no mundo tenta o suicídio, e a cada 40 segundos, uma pessoa consegue dar fim à própria vida. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 90% dos casos poderiam ser evitados a partir de uma rede de apoio estruturada, que inclui saúde pública, família, amigos e trabalho. 

Para tratar do ema, a Assembleia Legislativa realizará nestaa terça-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, uma audiência pública para tratar da depressão e suas consequências. O evento reunirá representantes de várias instituições, entre elas, da educação, polícia militar, saúde pública, universidades, associações de psicologia e psiquiatria, Centro de Valorização da Vida (CVV), estudantes e profissionais que atuam na área.

Conforme o deputado estadual Dr. Gimenez (PV), que é médico há 40 anos e organizador desse encontro, a proposta é analisar como a rede de atendimento hoje está estruturada e quais as demandas para melhorias do setor que é a porta de entrada para os pacientes em sofrimento e seus familiares. 

“Temos um projeto de lei que visa capacitar os professores para que identifiquem os sinais de alunos que estejam em depressão e acionem os pais e a rede de proteção rapidamente. Ter pessoas capacitadas na escola potencializará o trabalho preventivo, o que vai evitar o agravamento de inúmeros quadros que podem levar a um suicídio”.

Após a perda de uma amiga por suicídio há quatro anos, a médica do programa saúde de família de Cuiabá, Lívia Pulcherio Monteiro, explica que passou por muitas mudanças. “Primeiramente, quis entender o que aconteceu. Busquei fazer cursos e me especializar no assunto, porque, mesmo atuando na área da saúde, estive com ela 10 dias antes e não identifiquei o risco da situação, e é uma dor que nunca vai embora”.

Lívia afirma que a perda de um amigo ou familiar por suicídio, aos poucos, dá lugar à resignação e à saudade (posvenção). Mesmo enfrentando um tabu, a primeira orientação quando o tema é suicídio: falar abertamente sobre o assunto, sem julgamento, sem piada (ou brincadeira), levando em conta o momento de dor do outro. 

“Observo que falta mais atenção não só das políticas públicas, como das pessoas para identificar os sinais, ninguém decide cometer suicídio de um dia para o outro, elas passam por etapas, por isso precisamos estar muito atentos para esses sinais, e fazer alguma coisa para ajudar de forma carinhosa, mas bastante firme”.

Cerca de 320 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com depressão, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).  No Brasil, mais 11 milhões de pessoas no Brasil afetadas pela doença, entre crianças e adultos, um índice que crescente que ainda significa um tabu, considerado por muitos como ‘frescura, fraqueza ou falta de Deus’. 

Fases que precedem o suicídio

Na primeira etapa, a médica Lívia Monteiro pontua que há uma ideação suicida, ou seja, a pessoa começa a pensar nele. Normalmente, 97% dos casos vêm acompanhados de doença mental, como depressão, ansiedade e outras síndromes mentais que vão potencializar o quadro. Tratá-las é fundamental.

O segundo momento é o planejamento da morte, ou seja, de maneira prática, a pessoa passa a escolher a forma ou a técnica para colocar em prática. Nesta fase, é comum o paciente externar frases que devem ser um alerta (sinal amarelo) em casa e no trabalho: ‘Não sirvo para nada’, ‘a vida vai ser melhor sem mim’, ‘estou cansada (cansado) de lutar’. Ao invés de ignorar, Lívia orienta que é preciso intervir imediatamente.

“Tem que ter uma conversa franca, escutar, oferecer ombro amigo, perguntar se está tudo bem, atitudes que ajudam em qualquer lugar onde estamos. Mas para isso, temos que sair da superficialidade, entendendo que apenas um ser humano ajuda o outro, o que exige amor e atenção, é observar quando a pessoa está com um comportamento diferente do habitual e não deixar passar”.

A médica frisa que é fundamental ser franco e perguntar sobre o planejamento. “Na rotina do consultório, as pessoas são sinceras e respondem”. Ela explica que a partir desta resposta é possível acionar a rede de proteção e evitar que se chegue à terceira e última etapa, que é tentativa de suicídio. “Ser honesto, perguntar, não deixar a pessoa sozinha, tirar o instrumento do alcance dela, acionar os serviços de proteção e a família, é um trabalho conjunto”.

O paciente neste nível precisa de acompanhamento médico e psicológico imediato, apoio da família, no emprego e dos amigos. Se por um lado existem fatores que podem desencadear o adoecimento, como desemprego, solidão, perdas variadas, doença física incurável, abandono, por outro, há fatores de proteção. 

“O número de pessoas que pensam e até planejam o suicídio é alarmante, estamos vivendo um momento mundial muito difícil, por isso precisamos fortalecer essa rede de proteção que inclui bons relacionamentos com família, amigos, hábitos saudáveis, como praticar esportes, ter atividades de lazer e ao ar livre na natureza e, acima de tudo, ter uma vida saudável”. 

Sobre a rede de atendimento, Lívia informa que as unidades básicas de saúde pública estão abertas para auxiliar. Caso haja uma tentativa, é preciso ir a um pronto-atendimento, há ainda a escuta ativa do CVV (pelo 188 – ligação gratuita), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e também o Núcleo de Assistência Social Comunidade Inamar (NASCI), que dispõe de duas unidades em Cuiabá.